Para ser sincero, nunca entendi e, de uns dias para cá entendo ainda menos, por que as pessoas quando querem ofender umas as outras usam a palavra cachorro ou cachorra (ou o sinônimo: cadela). Na música, por exemplo, chamam as mulheres por este nome, quando querem dizer que ela é, digamos, mais assanhada. E os homens? Durante uma discussão qualquer, principalmente com mulheres, ouvem este adjetivo quando sua moral ou caráter está em jogo. Com certeza alguma coisa fez de errado. Ninguém ouve essas palavras à toa. Parece que a reputação do bicho não é lá grande coisa.Mas, como bom observador que sou, vejo que quem os tem (neste caso falo dos animais de estimação), só têm coisas boas a dizer. Há quem os trate como parte da família. Talvez tenham até um lugarzinho à mesa. Na verdade, é um pouco difícil de entender, pois nunca pude ter um. Contento-me com meus jabutis. Por isto, às vezes vejo com espanto e até com um pouco de graça as pessoas conversando com os bichos. Brigam. Contam piada. Desabafam. E se por acaso pergunto se eles entendem, a resposta é enfática: “é claro que entendem”.
O mais curioso é quando resolvem pôr nomes comumente usados em humanos. E quando usam nome de artistas? E pior, com nome e sobrenome. Tem gente que até providencia carteira de identidade.
-Rex Almeida da Silva. Vem cá.
Agora, tenho pena mesmo quando vestem os bichinhos. Em pleno calor e o animal com aquele roupão. Às vezes um macho vestido de rosa. Cadê a dignidade do coitado.
Mas bom mesmo são as festas de aniversário. Com bolos e refrigerantes próprios. Os donos convidam outros donos de cachorros, e acontece uma verdadeira convenção canina. E aí eu pergunto, será que faz algum sentido para eles? Será que sentiriam esquecidos, abandonados, como é o nosso caso quando nossa data passa em branco? Vai saber.