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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PERGUNTAS

Ela perguntou:
O que esperas de mim?
Eu queria responder:
Você.
Mas disse apenas:
Não sei.
Estive perdido por alguns dias.
Respondi perguntas que eu mesmo fiz,
Andei por estradas que desenhei,
Descansei em lugares onde não cheguei.
Viajei em situações impossíveis,
Estive num mundo que não me pertence.
Estive com ela
E talvez fosse melhor que não estivesse.
Perdi algo que nunca tive
E esperei pelo que nunca virá.
E agora pergunto:
O que esperas de mim?
Ela emudece.
O sonho se vai.
O Sol desaparece.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A metáfora do desencontro



Foram chamados para atuar. Atores novos. Pouca experiência, mas muita vontade de conhecer e vivenciar a carreira. Aceitariam qualquer papel, pelo simples prazer em praticar aquilo que era o centro de suas vidas naquele momento. E então surgiu um convite, foi para uma peça que exigia apenas a presença do casal, nada mais.

Ao conhecerem o enredo, e se conhecerem, pensaram que seria possível realizar o espetáculo. Parecia tudo muito simples. Ele falava, ela respondia e a história se desenrolava. Mas assim como na vida os atores não conseguem realizar um trabalho sem a interferência ou a ajuda de terceiros. Pois tal como os amigos ou parentes estão para nos aconselhar e compartilhar os sucessos e insucessos, assim também estão os diretores, produtores, figurinistas e outros sei lá quantos profissionais do ramo do teatro responsáveis por fazer com que toda a trama se desenrole de forma que a peça chegue ao fim satisfatoriamente. Com aplausos e críticas positivas.

E com toda a equipe formada eles tinham poucas semanas para levar ao público o fruto daquele trabalho. Criou-se muita expectativa sobre o que estaria por vir. Impossível não pensar nos “e se...”. E se eu cair no palco. E se esquecer a fala. E se tocar um celular. Enfim, vários motivos para fazê-los perderem horas de sono. A ansiedade pairava no ar.

Ele via naquela oportunidade uma chance de sentir novas experiências. De se entregar a uma paixão, mesmo que profissionalmente. Poucas vezes pensava no retorno financeiro, na fama. Às vezes, percebia que ela sentia o mesmo. Mas ela era inconstante. Não era clara em suas ações. Talvez fosse excesso de profissionalismo.

Para ele, sair de casa para o ensaio era uma alegria e uma surpresa a cada dia. Ele adorava a presença dela. A voz. O olhar enigmático dela. Tudo isso tornava a personagem ainda mais encantadora. Melhor ainda era quando estavam atuando. Tudo era perfeito.

A sintonia entre o casal era impressionante, apesar de sempre haver um diretor que insistia em interromper o andamento normal da história. O diretor insistia para os atores não perderem o “time” dos diálogos. Por isso, ora exigia pressa, ora pedia mais calma nas ações. E após dias de erros e acertos, o grande momento foi se aproximando e a tensão aumentando. Então o casal combinou de se encontrar duas horas antes do início da peça, para poderem se preparar e criarem um clima ideal para a estréia. Conversar seria muito bom para aprimorar o que faltava. Se é que faltava alguma coisa.

O ator chegou no horário combinado. Trouxe flores simbolizando um desejo de boa sorte. O detalhe é que as flores eram rosas vermelhas. Talvez ela percebesse o real sentido daquele gesto. Então os minutos foram passando e a atriz não aparecia. Primeiro pensou que fosse o trânsito. Ligou para o celular, mas ninguém atendia. Começou a imaginar coisas terríveis. O relógio tornou-se inimigo. Faltavam dez minutos. O diretor alertou para o tempo. O ator tentava disfarçar o nervosismo, a decepção.

Por fim, ela não veio. Nunca mais a viu. Com ele veio toda a vergonha. Os amigos, os parentes, os críticos e demais presentes souberam do ocorrido e começaram a especular as razões. Será que a culpa era dele? Será que ela não queria ter o desprazer de atuar com ele? Ninguém nunca soube. Talvez nunca saibam. Talvez achem uma nova atriz. A peça ainda pode ser apresentada. Reescrita. Com um final um pouco mais romântico, é claro.