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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Aviso

Está faltando texto, eu sei.
Mas este mês de Maio que se foi me ocupou com tantas surpresas e expectativas que não consegui me concentrar nas palavras.
Estou preparando mais um Luau. Fiz uma prova que tenho a esperança em ser classificado. Conheci pessoas que tomaram minha atenção além do que eu esperava. Dediquei muita energia ao meu trabalho.
Acredito que semana que vem eu esteja mais relaxado, disponível e disposto a fazer uma das coisas que mais me dão prazer, que é escrever.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Treze



Treze. Este foi o número da poltrona que escolhi no ônibus. Talvez fosse porque havia tantos lugares vagos que o atendente me olhou daquele jeito. Ele deveria estar pensando como seria possível alguém brincar com a sorte daquele jeito.

Na verdade, escolhi o décimo terceiro lugar não para testar o destino ou coisa desse tipo, mas o que me fez decidir foi por estar perto da janela e também por não estar sobre os pneus, porque isto me causa um enjoo desgraçado.

Mas a cara que o balconista me fez foi de alguém que nunca passa por debaixo de uma escada ou que dá três soquinhos na madeira quando ouve uma palavra que considera de mau agouro.

Fico pensando na tal “má sorte” que as pessoas supersticiosas costumam evitar. Vamos pensar no gato preto, imaginem se o pobre bichano trouxesse azar, minha tia que cria mais de vinte gatos seria a mulher mais pé frio do mundo, porque ela tem nada menos que quatro da cor preta, e sem uma mancha sequer.

Acontece é que tem gente que procura mil motivos para justificar um fracasso ou um acontecimento desfavorável. Essa é uma forma bem cômoda de se eximir de culpa. Porque com um pouco de cuidado e atenção é possível se evitar vários contratempos.

Imaginem aquela pessoa que quebrou um espelho e está fadada a sete anos de azar. Sete anos é muito tempo para ficar reclamando da sorte. Neste espaço de vida tem que ser muito incompetente ou preguiçoso pra não se reverter uma situação.  Em sete anos podemos dar um novo rumo em nossa história. No caso de quem quebrou o espelho e continua reclamando por ter feito isso o rumo deve ser bem ruim.

Mas vou parar por aqui com este papo de sorte ou azar, porque minha mãe diz que falar a palavra azar atrai e eu ainda nem usei a passagem que comprei, cuja poltrona é a treze. Então, boa sorte para mim, boa sorte para você, que desejar nunca é demais neste caso.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O Fim e o Começo

Hoje lamento a morte de um grande amigo. Não há o que comentar quando a estupidez impera sobre duas pessoas. Tornam a vida banal a ponto de um ser humano se achar no poder de eliminar a existência de outro.

Lamento pelas duas famílias. Uma que não terá mais um ente querido e outra que ganhou, queira ou não, um assassino.

Duas mães, dois pais, duas esposas, dois bebês perderam hoje uma parte da família.

Só o tempo poderá amenizar a ausência.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PERGUNTAS

Ela perguntou:
O que esperas de mim?
Eu queria responder:
Você.
Mas disse apenas:
Não sei.
Estive perdido por alguns dias.
Respondi perguntas que eu mesmo fiz,
Andei por estradas que desenhei,
Descansei em lugares onde não cheguei.
Viajei em situações impossíveis,
Estive num mundo que não me pertence.
Estive com ela
E talvez fosse melhor que não estivesse.
Perdi algo que nunca tive
E esperei pelo que nunca virá.
E agora pergunto:
O que esperas de mim?
Ela emudece.
O sonho se vai.
O Sol desaparece.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

COTIDIANO

Os dias de quem trabalha como back office de um agente autorizado para vendas de planos corporativos de telefonia podem ser resumidos assim: Segunda-feira, chegar um pouquinho mais cedo para preparar a puxada de vendas. Concluída esta etapa, enviar relatório para o gerente canal.

Em dias normais, o primeiro passo após ligar os computadores é entrar no SGD. Checar e-mail e depois entrar no site do Teleco para saber das novidades.

Com a chegada de clientes novos, trazidos pelos consultores de vendas, a primeira etapa é blindar a empresa. Depois checar o CNPJ e também o SINTEGRA. Já com o pedido em mãos, tirar o Equifax. Sinal verde do crédito, passamos à fase de produção da ficha cadastral.

Atenção para o e-mail, CNAE, CEP, Códigos da revenda e do banco, contatos.

Ainda no pedido, faz-se o Anexo I. Verificar qual o tipo de contratação. Cada qual com uma numeração. Plano TZ ( o que não cobra DSL) tem um código, o SM em R$ outro e internet 3G ( com as velocidades de 250 Kbps, 500 Kbps e 1 Mbps) também tem um número, todos homologados pela Anatel.

Ops, telefone toca... Cliente reclamando que pedido ainda não chegou ou que a conta está cobrando um valor indevido.

Quase concluindo o processo, tiramos o pedido. Importante verificar data de assinatura, e a de vencimento da fatura. Qual a promoção. E quantas vezes dividir o valor dos aparelhos. Se houver contratação de serviços, deve-se ir na página dos módulos. Tem cliente que gosta de controlar a conta e contrata o GOL. Aquele que fala muito entre um grupo contrata o TZ. Outros contratam dados e por aí vai.

Telefone tocando de novo. Consultor de vendas precisando de um apoio. Consultar um CNPJ desta vez.

Última fase é escanear, mas aí é moleza. A máquina faz quase tudo.

Fim do dia, última olhada nos e-mails. Consultar pedidos. Às vezes eles voltam, por algum erro. Paciência, ninguém é de ferro e muito menos máquina e os vacilos acontecem.

sábado, 31 de maio de 2008

Modernidade

29 polegadas
Duas senhoras, das antigas, assistindo TV.

Uma delas, olhando com indignação para o aparelho que ela acha grande demais, reclama.

- Já falei pro Tião trocar esta televisão. Antigamente a gente via este passarinho (falava do Pica-Pau) deste tamainzinho- medindo com as mãos.

A outra senhora muita interessada no desenho olha para o lado, prestando atenção nas reclamações da amiga.

- A mesma continua: Hoje não... Olha só... O bicho que era tão pequenininho agora deve ter uns dez, doze quilos...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Procura-se filha. Que precisa salvar a mãe. (começa no texto abaixo)



Foram longas horas de volta. Dona Elza demorou além do normal. Teve que enfrentar um longo engarrafamento na rodovia, devido a um sério acidente envolvendo um ônibus e uma carreta.

Aquela confusão de metal retorcido e pessoas sem vida a fizeram refletir. Pensou na possibilidade de estar lá. Uma das vitimas. Pensou em tudo o que ainda não tinha falado à filha. Quer dizer às filhas.

Imaginou que se estivesse entre as vitimas não precisaria encarar uma possível rejeição. Não precisaria inventar mil desculpas para uma filha que carrega muitas dúvidas.

Mas se animou ao pensar na outra possibilidade. Na do abraço e beijos cheios de afeto. Nas inúmeras lágrimas derramadas. Nas longas horas de conversa, atualizando toda uma vida.

Porém, chegou em casa da mesma forma que saiu. Fisicamente ilesa.

Só que um turbilhão de sentimentos tomavam conta dela. Preocupações futuras. Ora alegria pelo reencontro (ou seria encontro? a filha era uma pessoa desconhecida). Ora tristeza pela rejeição.

Dona Elza pegava o pedaço de papel que continha o endereço da filha e ficava admirando letra por letra. Decorando cada traço da caligrafia da secretária da emissora de rádio. Parecia que estava diante do mapa da cidade onde morava Marlene. Não queria errar nenhuma rua daquela escrita. Tomava aquilo como a última missão de sua vida.

Precisou esperar alguns dias até voltar a capital. Tinha que pôr em dia seus afazeres como dona-de-casa. Também precisava ajudar o marido com os últimos preparativos para colheita que já estava se aproximando. Em nenhum momento deixou de ser dedicada e atenciosa ao marido, submissa às vezes. Como era de costume a todas as mulheres de sua geração.

E então, uma semana depois a mãe parte em busca da filha. Parte com uma sensação parecida com a do momento que se dirigiu ao hospital para dar à luz pela última vez.

Não teve contratempos para chegar a capital. E para garantir que não perderia tempo preferiu ir de táxi. Sabia que o ônibus que passava pela rua onde Marlene morava dava muitas voltas até chegar ao ponto de seu interesse. Seriam minutos que só aumentariam a tensão do momento.

Contando com a eficiência do motorista, demorou pouco tempo até chegar ao destino final. Ao abrir a porta e pagar a despesa da corrida deparou com o momento que mais temia. O momento em que não tinha mais ninguém com que contar.

Ficou ali durante algumas horas até não suportar mais a fome e então recorreu a um barzinho do tipo “copo sujo”. Preferiu aquele, pois dali podia acompanhar perfeitamente a movimentação em frente ao portão de Marlene.

Permaneceu ali por mais tempo do que o planejado. E foi aí que começou a conversar com o dono do estabelecimento. Contou para ele que era uma tia distante de Marlene e queria lhe fazer uma surpresa. Foi então que começou a indagar sobre a vida da filha.

Entre muitas coisas que ouviu, a pior de todas foi saber que a filha só chegava em casa depois das dez horas da noite. Pois saía muito cedo para trabalhar e logo em seguida ia para a escola. Tentando recuperar os anos em que foi tratada como escrava em uma casa onde trabalhava treze horas por dia, restando tempo apenas para dormir e recomeçar tudo de novo.

O comerciante bom de prosa contou detalhes ainda mais íntimos de Marlene. Disse que a moça dava uma pausa a cada três dias no trabalho. Precisava ficar de duas a quatro horas em uma clínica médica especializada em doentes renais. A hemodiálise a deixava exausta para continuar o trabalho. Por isso, já foi demitida duas vezes.

Então naquele momento a mãe tomou uma decisão: não sairia dali sem ver a filha. Dormiria na rua se fosse preciso, mas não tinha mais tempo a perder.

Telefonou para o marido. Contou o que decidiu. E passou a esperar.

Esperou por longas horas. Viu o sol se por. Ouviu o som das novelas começando e terminando. Ouviu o apresentador do telejornal dar boa noite. E quando o sono já a dominava foi alertada pelo proprietário do bar que a moça por quem aguardava estava se aproximando.

Agradeceu. Levantou-se. Caminhou em direção à filha. Conseguia ouvir o tun-tun do coração. Caminhou mais um pouco e não conteve a voz. Gritou o nome da filha.

Levantou o braço para fazer-se notada. O braço que segurava a bolsa. Foi aí que um parênteses se abriu na vida das duas.

Neste exato momento insere-se na vida delas o Rato. Morador daquele bairro. Conhecido por todos pelo seu envolvimento com drogas e pequenos furtos.

Ele alcançou o braço de Dona Elza. Puxou com violência a bolsa. Só não contou com a recusa daquela senhora em largar aquilo que para ele seria moeda de troca para manter o vício.

Puxou novamente e então esboçou uma reação. E diferente das outras vezes, Rato estava de porte de uma arma. Um 38. E mesmo sem saber manuseá-la, disparou. Acertou o lado esquerdo. Pouco abaixo do coração. A mulher caiu e largou a bolsa, que o ladrão prontamente pegou e fugiu.

Marlene acompanhou tudo aquilo como quem acompanha a um filme de ação. Num fôlego só. Sem tempo para reflexão.

Correu para socorrer aquela senhora que supostamente a conhecia.

Chamou por socorro. Que não tardou em chegar.

Quis acompanhá-la na ambulância. O enfermeiro disse que só poderia ir quem fosse parente da vitima.

Marlene então disse para quem quisesse ouvir:

- Eu. Sou filha dela...

Não perderam tempo. Embarcaram no veículo e foram na maior velocidade possível ao hospital. Uma equipe médica já aguardava para os primeiros socorros.

Dona Elza perdera muito sangue. Desmaiou.

Marlene tentou em vão informações sobre aquela senhora. Nenhum documento. Tudo foi levado pelo Rato.

Dona Elza começou a se debater. Piscava os olhos de forma descontrolada. E novamente levantou o braço. Como um afogado. Que com a mão fora da água busca alcançar o invisível. Algo que sustente sua fuga.

Marlene segurou com firmeza aquela mão fria e se aproximou daquela senhora.

Dona Elza então não conteve a única palavra que tinha em mente:

- Filha...

- O quê? O quê a senhora disse? Marlene queria ouvir mais. Queria por que acreditou naquela palavra.

- Você é minha filha... Eu não queria... Foi tudo tão difícil... Sou sua Mãe.

Marlene chorou. Abraçou aquela senhora. Beijou. Mas sentiu que a pele estava fria demais.

Surgiram médicos de todo lado. Tentaram reanimar. Usaram os aparelhos mais modernos que dispunham. Mas foi em vão.

Parte da história foi resolvida, pois recuperaram a bolsa com documentos, endereço e telefone do marido da falecida.

Muita comoção.

Hoje Marlene não precisa mais fazer hemodiálise. O rim de Dona Elza era compatível. Tinham o mesmo tipo sanguíneo.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Sossego


Afinal, o que é o sossego? Calma. Vamos devagar. Para quê pressa. Vamos pensar com bastante tranqüilidade o que quer dizer esta palavra. Que é muito mais do que uma simples palavra. É um estado de espírito.

O sossego pode ser um lugar. Um momento. Um objeto. Alguém. Apesar de existir pessoas que vivam todos os dias um sossego só. Mas elas são exceções num mundo em que ter pressa é o essencial. Pois tempo é dinheiro, e relaxar só em último caso. Num final de semana e olhe lá.

As pessoas “normais” estão em constante pressão. A luta contra o relógio faz parte do cotidiano. E então momentos de sossego são como uma espécie de troféu. Um prêmio por terem resistido.

É possível ser premiado de várias maneiras. Tem gente que não encontra sossego melhor do que numa praia. Água de coco, sombra e água fresca. Alguns encontram prazer numa longa caminhada. Outros num CD do artista preferido. Um bom livro. Filme. E muitos, mas muitos mesmo, numa boa noite de sono.

Isso mesmo, dormir. O que tinha que ser básico na vida de qualquer um, fica relegado ao segundo plano. “Tenho que terminar isso de madrugada”. E assim vão deixando o descanso para depois. Acumulando tensão. E tem uma hora que aquilo precisa ser liberado. Recomendo que saiam de perto.

O apresentador de programas esportivos Milton Neves recomenda uma técnica que ele pratica há vários anos. Ao acordar ele se dirige a janela do seu quarto, põe a cabeça para o lado de fora e grita três vezes “ Pu&$#@*+ta que o pariu”. Para falar a verdade, eu já tentei e digo que não é nada mal. Mas a vizinhança não entendeu muito bem essa técnica.

Enfim, não dá para viver o tempo todo pensando em cumprir tarefas. O corpo e a mente requerem um tempo para eles. Sossegar nada mais é do que dar um tempo para nós mesmos.

Quando estamos sossegados estamos bem. Estamos em paz.

Se você tiver uma dose extra, doe um pouco para seu amigo que neste momento pode estar precisando. Sei que não dá para dar sossego. Isto é uma coisa pessoal e intransferível, mas a sua presença pode ser importante para alguém. Além do mais, alegria, carinho e positividade contagiam. Nunca é demais.